1 de abril de 2021

A Lenda do Herói




A Lenda do Herói é aquele tipo de jogo que te surpreende em todos os aspectos. Eu tinha um certo receio de enjoar da parte musical ou que ela pudesse me atrapalhar de alguma forma durante o gameplay. Ledo engano, caros leitores, eu passei a amar a parte musical, que ao meu ver, casou muito bem com o estilo do game.

Surge o herói

O jogo foi lançado para computador no dia 24 de março de 2016. Ele é o resultado da parceria da equipe de desenvolvimento da Dumativa e os Castros Brothers. O game é uma espécie de homenagem aos clássicos da era 8/16 bits, mas com um grande diferencial: a sua trilha sonora.

A parte sonora narra os feitos do herói de uma maneira dinâmica e cômica. Várias foram as vezes que me peguei prestando atenção a letra, com o intuíto de decifrar o que eu deveria fazer em seguida. Por exemplo, em um determinado cenário me deparei com um grande cristal, foi aí que pensei: 

"Será que eu posso pegá-lo?"

A música logo em seguida respondeu:

"Quanto vale um diamante desses?

Não! Um herói não pode nunca roubar.

Mesmo se eu quisesse, como eu ia levar?"

Eu comecei a rir na hora. Pronto a minha dúvida foi respondida de uma forma inteligente e divertida. As músicas são muito bem produzidas e se encaixam com o gênero do jogo, que no caso, é o plataforma.



Sobre os controles

Eu sou muito crítico com a parte relacionada aos controles em um game. Um projeto pode ter gráficos de última geração, história incrível escrita pelo maior escritor da face da Terra e letras musicais de arrancar lágrimas. Mas se não tiver um sistema de controle descente, não adianta nada.

A Lenda do Herói tem um excelente sistema de controles, os comandos são simples e muito intuitivos. O meu filho de 8 anos, por exemplo, jogou comigo por diversas fases e lidou muito bem com todas as diversidades. 

No título há um botão para o ataque, outro para o pulo e um para o uso de itens. Novas habilidades e itens surgem na medida que avançamos na jornada, expandido o leque de botões que devemos usar. Isso acontece de uma forma muito natural, como deve ser em um bom jogo de plataforma.




Os gráficos e o level design

Quem me conhece sabe que sou um grande fã de jogos feitos em pixel art. Sempre que tenho um tempo disponível, fico no Steam procurando por games com esse estilo de arte. Eu herdei esse gosto dos jogos de arcade e nes que jogava na infância.

A direção de arte do A Lenda do Herói foi perfeita ao escolher o pixel art como estilo. Todas os cenários são muito bem trabalhados e os sprites usados no herói e inimigos são lindos. As homenagens presentes na taverna do dragão são muito boas. 

Sem estragar a sua experiência vou comentar duas das quatro que achei (e conheço): O Racketboy do jogo Sky Racket. O outro é o Tcheco do game Skatemasta Tcheco.




O level design é muito bem feito e possui uma ótima variedade. Há momentos debaixo d'água, dentro de um carrinho de mineração, escorregando em dutos e alguns voando. Todas as situações que enfrentei foram muito bem feitas, exigindo de mim um certo reflexo, algo comum para esse tipo de game.

Outro ponto muito bom são os itens escondidos. Temos baús e notas musicais espalhadas em lugares quase que ocultos nas fases. Alguns até conseguimos ver, outros porém ficam totalmente escondidos, sendo necessário, as vezes, toparmos com uma parede para que o caminho se abra diante dos nossos olhos. Em uma das músicas é explicado sobre a possibilidade de encontrarmos esses lugares secretos. 

Os cenários estão organizados em um belíssimo mapa, na medida que avançamos novos pontos vão surgindo. Cada um deles possui em torno de 3 fases, fora a destinada a luta contra o boss. Temos fases em florestas, pirâmides e dentro de um terrível castelo. Curti cada segundo dentro desses lugares.





Luta contra os chefes

A parte que mais curti no game foi a luta contra os chefes, uma melhor que a outra. Não há repetições de mecânicas ou batalhas enfadonhas. Eu particularmente adoro a batalha contra o pássaro e em seguida contra o mago. Já nas fases adicionais, que só devem ser jogadas depois de terminar o game, há um chefe muito bom. Considero-o o melhor.

A animação desses inimigos está muito boa, os modelos usados são grandes e muito bem detalhados. O meu filho ficou obcecado por eles e correu para pesquisar no Youtube vídeos do estillo All Bosses. Ele chegou a desenhar três mini-chefes para uma possível continuação e pediu para eu mandar para a Dumativa. Mandei pelo Twitter.



Conclusões finais

A Lenda do Herói é um BAITA game e deveria ser jogado por TODOS. Ele é um ótimo exemplo de como devemos apoiar o cenário de games nacional. Há muita coisa boa por aí e que as vezes passa batido. Ultimamente eu tenho procurado jogos interessantes que o meu filho possa jogar. Esse é um ótimo exemplo e recomendo para todos que tem filhos, sobrinhos ou enteados.

Esta análise só foi possível graças a Dumativa, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança.

24 de março de 2021

SIR LOVELOT



Sir Lovelot é um adorável jogo de plataforma 2D feito em pixel art. Nele controlamos um cavaleiro que está a procura do amor ideal. Para alcançarmos esse objetivo teremos que superar muitos inimigos e uma quantidade razoável de armadilhas espalhadas pelo cenário.

O game foi desenvolvido por um pequeno estúdio indie localizado em Luxemburgo. A Pixel Games é conhecida por trabalhar com títulos feitos em pixel art e no seu catálogo temos alguns títulos interessantes, dos quais destaco: Sigi A Fart for Melusina, Plutonium Pirates e Bobby Bombastic.

Nas próximas linhas irei compartilhar minhas alegrias, derrotas, surpresas e frustações com o jogo e dizer se de fato eu consegui encontrar a donzela ideal para o Sir Lovelot.



Era uma vez… 

A Primavera está no ar. Consegues senti-la?

O Sir Lovelot consegue, e está determinado a percorrer os quatro cantos de Lululand, de castelo em castelo, para encontrar o amor da sua vida! 

O teu objetivo é colecionar uma seleção de presentes para oferecer à próxima donzela enquanto evitas situações traiçoeiras e lutas contra criaturas estranhas, tudo isto o mais rápido possível!

O jogo dispõe de mais de 40 excelentes níveis de plataforma feitos à mão, desde escalada de corda e deslizes na parede a saltos altíssimos e mergulhos debaixo de água. O Sir Lovelot consegue suster a respiração durante muito tempo! Agora é contigo, Sir Lovelot. Tu consegues!




As aparências enganam

O game tem um ar de fofinho com seus lindos gráficos feitos em pixel art, mas na real ele esconde algo verdadeiramente assustador: sua dificuldade. Não que isso seja um ponto negativo, pelo contrário, o game sabe lidar perfeitamente com isso. Mas antes de falar sobre esse assunto, falemos sobre as habilidades do nosso personagem.

Sir Lovelot tem a habilidade de pular e de se agarrar as paredes. Além disso, temos o poder de executar um segundo pulo no ar, permitindo assim, alcançar determinados lugares. Para o ataque, temos o disparo de bolas de energia, muito úteis quando nos deparamos com as terríveis criaturas de Lululand. Não podemos esquecer também da sua incrível habilidade de ficar debaixo d’água.




Nesse ponto questiono a escolha do estúdio em colocar o direcional como o responsável por subir e descer do personagem, estando debaixo d’água. A maioria dos jogos de plataforma adotam o botão de pulo como o responsável para isso. Ao meu ver, é muito melhor apertar um botão, do que pressionar o direcional para cima e para os lados ao mesmo tempo, afim de escapar de algum tipo de armadilha ou ataque. Esse ponto da jogabilidade não me agradou.

Voltando a questão da dificuldade. Tudo no game funciona muito bem e escalona de uma maneira que acredito ser a ideal. No início tudo parece ser fácil e tranquilo, poucos inimigos e armadilhas, coletáveis fáceis de serem encontrados, tudo parece maravilhosamente bem. Na medida que avançamos, as coisas começam a piorar e novos conteúdos são inseridos, como mecanismos mais sofisticados e criaturas mais abusadas. Tudo numa mistura maravilhosa de dor e sofrimento.




Acertar o tom da dificuldade em um jogo é uma faca de dois gumes. Se ficar muito difícil, o game não ficará convidativo para os jogadores casuais, se ficar muito fácil, ele não será atrativo para os hardcores. Na minha opinião o Sir Lovelot conseguiu alcançar o equilíbrio perfeito, mesmo tendo que lidar com o direcional debaixo d’água.

Um ponto que achei bem coerente no game foi a morte dos inimigos. Vou explicar: se você derrotar uma cobra, por exemplo, e morrer em seguida em uma armadilha, assim que retornar para a fase, não verá mais aquele inimigo. Uma vez morto, continuará morto. Alguns podem reclamar disso, mas eu gostei dessa parte, porque já temos que enfrentar uma porrada de armadilhas, ter que lidar com todos os inimigos novamente pode se tornar extremamente repetitivo, coisa que o jogo não é, principalmente se você deseja fazer os 100% em todas as fases.




Os objetivos e a ausência de chefes

A conclusão de um estágio com 100% acontecerá se conseguirmos atingir todas as metas exigidas pelo game. Essas metas são bem simples: morra um número de vezes inferior ao exigido, colete uma quantidade de moedas, encontre todos os ovos de ouro e colete todos os presentes das donzelas.

O número de presentes aumenta, dependendo da região que estamos. Na primeira região temos que coletar apenas uma flor. Na segunda temos que coletar a flor e um anel. No terceiro é acrescentado um diamante e no último um doce. Ou seja, na última região temos que coletar os 4 presentes, fora as outras metas que devem ser atingidas. Essa parte do game ficou bem legal e eu quero concluir todas as fases com 100%. Terminei o game com 75% no geral.




Uma coisa que senti muita falta no game foi a batalha contra chefes. Infelizmente há apenas um no final do game. A troca de região ocorre com um desafio muito simples, no caso, fugir de uma bola gigante com formato de crânio. Eu achei bem fraco essa parte, para você ter uma ideia, é possível durante a fuga pular sobre essa pedra. Deixando-o andar livremente a sua frente, enquanto você coleta tranquilamente os itens, logo atrás.

Uma pena que o estúdio não tenha pensando em criar chefes para as últimas fases das três primeiras regiões. Eu entendo que isso pode ter ocorrido devido a uma limitação orçamentária, mas repetir a fuga da pedra, no caso, não ficou legal. Essas foram as únicas vezes que eu não me importei com o que o jogo me apresentava, tudo que eu queria era pular a pedra e fazer o que realmente importa.




Sir Lovelot é um bom jogo e uma ótima opção para os fãs de plataforma. O game não é longo, são necessárias algumas horas para finalizá-lo, mas para concluir a jornada com 100% vai demandar um pouco mais de tempo e paciência do jogador, pois coletar todos os itens é extremamente trabalhoso.

Esta análise só foi possível graças a Pixel Games, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança.

22 de março de 2021

Pinkman+



Imaginemos a seguinte situação: você pega uma imagem do jogo Pinkman+, mostra para um amigo e pergunta para ele do que se trata. Com certeza absoluta a resposta será: isso é um jogo de Atari.

Eu não estranharia essa resposta. Se olharmos atentamente ao trailer do jogo ou as imagens disponibilizadas no site oficial, a sensação que temos é de estar nos anos 80, justamente no lançamento de um jogo da época. Seja sincero, você jogaria ele? Teria coragem de investir o seu dinheiro nele?

Se há dúvida no seu coração sobre isso, deixa comigo. Nos próximos parágrafos tentarei convencê-lo de que os gráficos podem te afastar de um jogo incrível.



Simples e grandioso ao mesmo tempo

Pinkman+ é um jogo de ação e plataforma sobre um homem perdido com pele rosa, com a habilidade de voar com um propulsor para alcançar novas alturas. Corra, salte e voe em um minimalista e colorido (porém mortal) cenário chamado “A Mente”.

Tudo que gira em torno desse jogo é simples. Os comandos são extremamente básicos: um botão para o pulo, outro para o controle do propulsor, um terceiro para ampliar ou diminuir a visualização da fase e um último para desativar a parte sonora, caso deseje jogar o game sem som.

Essa simplicidade esconde, na minha opinião, um level design primoroso que cresce na medida que avançamos no jogo. No total temos 100 estágios, cada um com um tipo de armadilha ou dificuldade diferente. O desenvolvedor teve o cuidado de explicar através de textos o que iremos enfrentar de novidade a cada novo estágio.

Além desse cuidado, a sensação que tive é que cada parte da fase foi devidamente colocado no lugar certo. Quando você olha pela primeira vez determinado estágio, fica com a impressão que não será possível superá-lo. Basta algumas tentativas para perceber que sim é possível superá-lo e na maioria das vezes de uma forma simples e inteligente.

Há elogios de sobra sobre o Pinkman+, mas vou citar um em especial: a dificuldade. O game não joga tudo de uma vez, ele vai inserindo armadilhas e mecanismos aos poucos, sempre com uma descrição simples do que aquilo pode provocar ou como determinado mecanismo funciona. Quando você chega no último nível, você fica com o sentimento de que cresceu em habilidade junto com o personagem, de uma forma muito interessante, sem ser em nenhum momento cansativo.




Um deleite visual e sonoro

O game possui gráficos simples, mas usa de uma artimanha interessante. Se você morrer numa fase, por exemplo, as cores daquele estágio vão mudar. Isso ocorre sempre que você morre ou passa de fase. Ao meu ver, esse truque faz com o que o jogador não enjoe e continue empolgado em tentar superar aquele nível. Não sei se foi essa a intenção dos desenvolvedores, mas comigo funcionou muito bem.

Outro ponto que achei interessante, voltando a questão do zoom, que ao iniciar um estágio você pode, se quiser, ampliar o estágio podendo ver ele todo. Com isso você pode bolar uma estratégia para superar os desafios que estarão logo a frente. Eu usei essa função várias vezes, mas assim que entendia o que iria enfrentar, desativava o zoom, para focar somente no homem rosa. Para mim, ficou mais fácil jogar focando nele, que deixa a tela de um tamanho confortável para mim. Mas fica a critério do jogador em escolher a melhor maneira. Lembrando que essa função de ampliar ou não a tela pode ser usado a qualquer momento.

O design das armadilhas é muito bem feito. São extremamente simples, mas suficientemente competente em transparecer ao jogador as suas particularidades, tornando-os de fácil identificação na medida que pulamos e avançamos na jogatina. Nota dez para o estúdio que teve a competência de criar um design limpo e bem informativo.




A parte sonora é outro acerto do estúdio. Os sons de pulo, do propulsor e de outros elementos dos estágios são simples, como todo o resto do game. Mas a parte musical, essa brilha de uma maneira majestosa. A sensação que eu tinha era de estar nos anos 80/90, ouvindo músicas eletrônicas de filmes de ficção científica da época. Em nenhum momento me senti incomodado com a música, mesmo tendo que repetir determinado nível várias vezes, por ter falhado miseravelmente em superar determinada armadilha. A troca de cores e as músicas andam de mãos dadas nesse jogo, com o objetivo de manter o jogador empolgado em vencer cada um dos desafios.

Os brasileiros mandando bem

Quando eu vi o jogo pela primeira vez, eu imaginava que o estúdio responsável por ele seria russo. Não sei explicar bem o porque. Acho que foram os muitos indies diferentes que vi, provenientes de desenvolvedores da Rússia.

Eu joguei o game inteiro, fechei ele e me deparei com um nome bem brasileiro no final do jogo. O nome era Mateus Ferreira, que não tem nada a ver com russo, no caso deveria ser Matheusvich Barichinikov. Mas não era o caso.




Resolvi então pesquisar um pouco mais sobre o jogo e descobri que o estúdio responsável por ele é brasileiro. O Viridino Studios é responsável pelo desenvolvimento desse jogo e a publicação ficou a cargo da Ratalaika Games. Foi uma grata surpresa para mim e vou ser bem sincero, descobrir a origem do estúdio não mudou a minha nota final sobre o jogo. A única coisa que mudou em mim foi o orgulho de ver estúdios nacionais criando jogos incríveis.

Esse orgulho vem aumentando a cada dia mais, diante de tantos projetos promissores. Não preciso dizer que recomendo o jogo, certo? JOGUEM, por favor.

Esta análise só foi possível graças a Ratalaika Games e a Viridino Studios, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para Xbox One e Xbox Series X|S e pode ser adquirido por meio do nosso link afiliado no final desta análise.

* Eu publiquei esse texto originalmente no site do Xbox Mania.

10 de março de 2021

TOHU



Infelizmente eu não vivi a era de ouro dos point n’ clicks. Eu sei que pode soar como um grande pecado, mas confesso que nunca joguei o The Secret of Monkey Island ou o Full Throttle, ambos da incrível LucasArts. Ainda há tempo de me redimir, pois o Full Throttle está disponível no Gamepass.

Para ser bem sincero, eu nunca fui muito fã do gênero. Contudo, ao me deparar com um trailer do TOHU fiquei tentado a experimentá-lo. A arte apresentada naquele vídeo era tão incrível, que fiquei hipnotizado por aquelas imagens.

Por conta disso, me vi na obrigação de me arriscar em um estilo de game que não estou acostumado. Nesse texto compartilharei a minha experiência com o TOHU e como eu passei a curtir esse tipo de jogo.



O início 

Era uma noite calma, os planetas-peixes estavam dormindo tranquilos. Eles permaneceram imperturbáveis até a chegada de uma luz desconhecida e misteriosa. 

Das sombras surgiu uma criatura estranha, cuja intenção era… Destruir!!! 

O Motor Sagrado foi quebrado e toda a vida no peixe estava correndo perigo. Alguém tinha que consertar isso, antes que fosse tarde demais.




A menina curiosa e o poder do Cubus

Assim que a introdução termina o game nos apresenta a sua protagonista: a menina curiosa. Diferente das outras garotas daquele mundo, ela possui o poder do Cubus. Um artefato mágico que fica preso a sua cabeça e que a transforma em um poderoso robô. O game nos orienta através de um tutorial por texto em como trocar entre os dois personagens.

O Robô Cubus será muito útil em situações que necessitem de força: levantar objetos ou quebrar paredes. Já a menina, ela é ótima para subir em lugares altos ou entrar em pequenos buracos. Essas funções são requisitadas em momentos importantes no jogo, todas sinalizadas com setas, de fácil interpretação.




Não demora muito para a nossa protagonista perceber o que está acontecendo do lado de fora da sua casa. O Motor Sagrado, que fica logo abaixo do seu lar, está em apuros e ela precisa desesperadamente resolver o problema.

Aqui vai o meu primeiro elogio ao game: o jogo está totalmente localizado para o nosso idioma. Ou seja, você terá a oportunidade de absorver todos os detalhes dessa história. Os diálogos e pensamentos são apresentados para o jogador através de balões. Já os objetivos ficam descritos em uma espécie de tablet, que a garota encontra jogado no chão.




Ajuda é sempre bem-vinda

O tablet nos dará acesso a três seções. A primeira apresenta os objetivos que devemos realizar para avançar na história (imagem acima). Já a segunda lista a coleção de animais. Cada cenário possui uma quantidade pequena de criaturas exóticas.

Alguns ficam visíveis, outros ficam escondidos. Ao selecionarmos uma, ela poderá ser coletada através de um desenho. Como se fosse uma fotografia. Essa imagem fica salva no tablet para posterior consulta. Caberá ao jogador encontrar todas as criaturas durante a sua jornada no TOHU.




A última seção é uma espécie de ajuda. Essa parte tem como função auxiliar o jogador no entendimento de determinado objetivo, para assim poder prosseguir na história, caso fique empacado em um ponto do jogo. Esse recurso pode ser usado a qualquer momento, portanto, use-o da melhor maneira possível para não estragar a sua experiência.

Outra coisa, para ter acesso a essa ajuda será necessário resolver um pequeno problema, onde sua precisão será testada.




Os controles

Nem tudo em TOHU é perfeito. Os controles, por exemplo, podem incomodar aqueles que estão acostumados as facilidades do mouse e teclado. O ponteiro é controlado por um dos analógicos e a precisão dele é um pouco estranha. Temos a opção de mexer na sensibilidade dele, mesmo assim, eu fiquei com a impressão de lentidão.

Acredito que no PC as mecânicas casem muito bem com o mouse, mas no Xbox One senti que em alguns momentos essa dinâmica acabou quebrando um pouco o ritmo do jogo. Isso não estraga a experiência, mas pode afastar alguns jogadores, pelo menos os mais acostumados aos point n’ clicks.




Podemos trocar os personagens clicando em cima deles ou pressionando um botão de atalho. As demais ações são baseadas em clicar em itens/objetos/criaturas ou arrastar eles. O mais bacana dessa parte, pelo menos para mim, novato em point n’clicks, é caçar o que pode ou não ser usado na fase. Fora que os cenários são bem detalhados.

Uma obra de arte

A arte desse jogo é maravilhosa e não há um lugar se quer no game que não seja rico em detalhes. Os movimentos da menina e das criaturas são charmosamente engraçadas. Os planetas são temáticos e cada um deles possui uma paleta consistente com o seu tema.

A sensação que tenho que estou jogando um obra de arte digital. A vontade que tive, assim que terminei o game, foi de desenhar todos os personagens que encontrei durante a jornada. Um mais interessante que o outro.

O áudio também não deixa a desejar. O jogo pede ao jogador que use fone de ouvidos, para aproveitar melhor a experiência. Os efeitos e as músicas são boas, mão não são memoráveis. Eu mesmo não lembro de praticamente nenhuma delas.




TOHU é um excelente jogo e recomendo que joguem ele. Ele não é longo, se você for bom em resolver os puzzles, será capaz de terminá-lo em poucas horas. Não o faça correndo, aproveite cada estágio e aprecie a arte em forma de videogame.

Esta análise só foi possível graças a Fireart Games e a The Irregular Corporation, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança.

* Eu publiquei esse texto originalmente no site do Xbox Mania.

4 de março de 2021

9 Monkeys of Shaolin



Nos últimos meses temos visto o retorno triunfal dos jogos de briga de rua, os famosos beat n’ up. Street of Rage 4, Battletoads, Fight N’ Rage e outros, são bons exemplos de uma nova safra de títulos que conseguiram reviver o gênero através de mecânicas inovadoras e gráficos incríveis.

O 9 Monkeys of Shaolin faz parte dessa nova safra de jogos beat n’ ups e ao meu ver, ele não decepciona, pelo contrário, ele eleva um pouco mais a barra de qualidade dos jogos desse estilo.

A história

Wei Cheng, um mero pescador chinês, tem que vingar a morte de seus amigos e familiares. Eles foram massacrados em um ataque pirata em sua pacífica vila.

Ele inicia sua busca por vingança, mas falha ao se deparar com inimigos mais fortes. Mesmo conhecendo o básico das antigas artes marciais, o pobre protagonista quase morre em combate. Felizmente, monges budistas acabam salvando ele e se comprometem a ajudá-lo nessa jornada.



Combate

Se tem uma coisa que me deixa empolgado em um beat n’ up são as habilidades que os personagens possuem, principalmente quando há a possibilidade de evolução dessas mesmas habilidades.

Esse é o caso do 9 Monkeys, onde o personagem possui três posturas, cada uma com uma árvore de habilidades que pode ser evoluída na medida que avançamos no jogo. 

A primeira postura está relacionada aos ataques mais básicos: dois tipos de golpes com o bastão, um chute, uma esquiva e um movimento que devolve projéteis e alguns ataques diretos. Cada uma dessas habilidades possuem uma variante mais forte, executada quando seguramos o botão.

A segunda postura é a acrobática e a terceira é a mágica. Cada uma delas está associada aos golpes básicos, permitindo uma variação interessante de movimentos. Depois de um tempo, você sente que está na pele de um verdadeiro mestre shaolin.



Gráficos e Sons

Infelizmente o jogo não foi localizado para o nosso idioma. Mas a dublagem está perfeita e a parte sonora não deixa a desejar. Os gráficos são belíssimos, embora um pouco escuros em determinados pontos e as pinturas usadas para contar a história são verdadeiras obras de arte.

Os cenários são bem feitos e há um cenário no meio do canavial que dá uma sensação de estar em um filme. O meu único porém com a parte artística são algumas situações onde itens, os chás, ficam escondidos na parte inferior da fase. Às vezes você só consegue ver o ícone do botão para pegá-lo, porque passamos por cima do mesmo, mas se estivermos distante o item ficará lá, perdido.



O desafio do jogo e os chefes

Logo que iniciei o jogo, fiquei meio perdido com as habilidades e morri umas duas vezes. Depois de alguns minutos de jogatina, me senti um verdadeiro mestre da arte do kung fu. Mesmo tendo essa sensação, o game tenta equilibrar a dificuldade ao longo da nossa jornada. Com relação a isso, eu acredito que o balanço está perfeito. Agora com relação aos chefes, eu fiquei um pouco decepcionado.

A quantidade de batalhas contra os chefes é o ponto mais fraco do jogo. Além disso, eles não são tão difíceis assim de serem vencidos. Houve situações em que eu morri contra uma quantidade significativa de inimigos, que me rodeavam a todo momento, mas nos chefes, não senti dificuldade nenhuma.

O último em questão, eu achei bem tranquilo de vencê-lo, me senti quase que invencível diante dele. Eu gostaria muito que houvesse mais batalhas contra os chefes ou que eles fossem um pouco mais difíceis. Mas isso é apenas a minha opinião, pois há outro modo mais difícil no jogo.



Você recomendaria ele?

Sim, eu recomendo esse game. Ele é divertido, tem cenários maravilhosos e é uma excelente opção de beat n’ up. Eu adoraria que lançassem uma continuação para ele.

Esta análise só foi possível graças a Buka Entertainment que gentilmente me disponibilizou uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento e confiança.