3 de maio de 2021

Hellbreachers



Ao escrever uma análise tento, da melhor maneira possível, focar primeiramente nos pontos positivos, para só depois esmiuçar os pontos negativos. Mas o saldo final, para mim, depende muito de como foi a jornada. Eu particularmente não sou muito fã de notas, prefiro que a pessoa leia a análise e leve em consideração a descrição da jornada como um todo.

Com isso em mente, alguns jogos podem ter bugs durante a jogatina, porém se a aventura com ele foi interessante e os bugs não atrapalharam significativamente o desenrolar do gameplay, com certeza recomendarei o game. Claro que sempre descreverei as falhas que o jogo apresentou, para que o leitor fique ciente do que poderá encontrar.

Infelizmente esse não é o caso do Hellbreachers. Há tantos pontos negativos nele, que fiquei com receio de escrever essa análise. Depois de muito rascunhar, cheguei em um texto que descreve muito bem a minha experiência com título.



Vendendo o peixe

O que você faz quando quer comprar um novo game? A primeira coisa que eu faço é ir na página do título na plataforma que desejo jogar. No meu caso a plataforma escolhida foi o Xbox One. Olhando atentamente a página encontrei as infos abaixo:

Um jogo de plataformas de ação de estilo retro com criação robusta de personagens e progressão RPG. Escolha um de três heróis, depois personalize-os com dez especializações únicas para se enquadrar no teu estilo de jogo. 

Em nenhum momento encontrei essas opções para personalizar o meu personagem durante o gameplay. O máximo que tinha era a opção de selecionar um guerreiro e depois uma classe, só que de uma forma muito limitada. 

Há três personagens disponíveis para selecionarmos. Para escolher um deles, basta pressionar o direcional até o guerreiro que desejamos e pressionar o botão de escolha. Em seguida teremos as classes, infelizmente a terceira opção está disponível e mesmo que tentemos selecioná-la, por algum motivo bizarro, o jogo não permite a escolha.

A sensação que tive foi de que a descrição do jogo na Microsoft Store não bate com o que eu estava jogando.



Problemas e mais problemas

Um dos maiores problemas do jogo é a estrutura das fases. Na minha opinião o level design é muito pobre, chegando ao ponto de encontrarmos armadilhas em lugares que NUNCA chegaríamos com o nosso personagem, como por exemplo no teto.

Outro ponto que incomoda muito é o sistema de colisões, que parece não funcionar muito bem. Percebi isso logo no primeiro boss e essa situação, infelizmente, se estende aos inimigos comuns nos estágios. Fora um momento bizarro onde eu pulei em direção a uma parede e o meu personagem conseguiu entrar, ficando preso naquele lugar.

Cada personagem tem dois tipos de habilidades especiais, um representado pelo fogo e o outro pelo trovão. O do fogo é o mais básico, onde o personagem irá disparar um projétil apenas. Já o trovão, o personagem dispara uma saraivada de projeteis. 

Nem preciso dizer como esse poder quebra os combates contra os chefes. Se chegarmos em um boss com uma quantidade razoável, será possível derrotá-lo em poucos segundos, tirando um pouco da diversão/desafio.



Objetivos, gráficos e considerações finais

O jogo tenta nos motivar através de pequenos objetivos, como coletar todas as moedas da fase, pegar os diamantes ou encontrar os baús. Mas a forma como que ele distribui esses itens no cenário, ao meu ver, é muito ruim. Chega um ponto que o desânimo em coletar tudo isso é TÃO grande, que a única coisa que eu queria fazer era avançar para o final do estágio, sem pensar em mais nada.

Já a parte gráfica, que parecia ser interessante nos trailers que vi, é limitada a pequenas animações. Tanto os heróis, como os inimigos, se movimentam de uma forma muito estranha. Você sente que faltou polimento nesse aspecto. Por exemplo, assim que você finaliza um estágio, uma tela surge e quando ela transita para outra tela, a impressão que dá que o jogo bugou, graças ao surgimento de elementos estranhos. 

Nem vou comentar sobre a parte musical, que se torna enjoativa com poucos minutos de gameplay. Vale a pena o jogo? Sinceramente não. Não o recomendo nem em uma promoção. Vou ser bem sincero, dificilmente dou um veredito desse nos jogos que analiso, mas no caso do Hellbreachers, seria injusto com os leitores indicar algo, que ao meu ver, deixa a desejar em vários aspectos.

Esta análise só foi possível graças a Eastasiasoft, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança.