Cyber Shadow



Os ninjas – ou as lendas em torno deles – sempre estiveram presentes no imaginário popular. Ao longo dos anos foram produzidas diversas obras, com o objetivo de saciar a curiosidade daqueles que desejavam conhecer melhor o legado desses mercenários.

Eu, por exemplo, fui um consumidor desse tipo de conteúdo na década de 90. Li e assisti muita coisa relacionada ao tema. Mas o auge, na minha opinião, foi quando os games começaram a explorar o mito em torno desses mercenários, dando respostas criativas às habilidades especiais desses misteriosos guerreiros.

Tive excelentes momentos com o Shinobi (Arcade), passando também pelo excelente Shadow Dancer (Arcade) e chegando ao ápice quando joguei o Ninja Gaiden II: The Dark Sword of Chaos.

A análise de hoje será sobre o Cyber Shadow. Um jogo de ação e plataforma, desenvolvido pelo estúdio Mechanical Head Games e publicado pela editora Yacht Club Games (criadores do jogo Shovel Knight).



A história do jogo

O mundo está dominado pelo maligno Dr. Progen e seu impiedoso exército sintético. Shadow, único sobrevivente de seu clã, recebe um pedido de ajuda desesperado, partindo numa última missão para desvendar o que deu início ao caminho da destruição perpétua.

Seu companheiro robótico L-Gion o orientará pelas ruínas de Mekapólis. Até que ponto Shadow chegará para proteger seu clã e aqueles que ama? Será que existe mais em seu vínculo do que se vê?




Estrutura das fases e as habilidades

Após uma belíssima animação de introdução, iniciamos de fato essa incrível jornada. Shadow, o protagonista cibernético, acaba de despertar, debilitado e com muitas dúvidas acerca do que aconteceu.

Naquele momento o personagem possui poucas habilidades, limitando-se apenas ao uso da espada e do pulo. Ambos poderão ser modificados e aprimorados no decorrer do jogo, através de power ups temporários ou permanentes.





Um bom exemplo de aprimoramento é a shuriken, que é ótima para acertar inimigos a distância ou determinados dispositivos. Outra habilidade que chamou muito a minha atenção foi o impulso elétrico para baixo, usado para destruir inimigos ou quebrar solos frágeis.

Essas habilidades consomem a essência (SP), um medidor azul que fica abaixo do medidor vermelho de vida. Ambos podem ser recuperados nos terminais, computadores espalhados pela fase, que servem de checkpoint e loja.






Controlar o ninja cibernético é muito tranquilo. Os controles são responsivos, principalmente em momentos que exigem do jogador reflexo e habilidade. O layout de botões, ao meu ver, foi bem distribuído no controle, no meu caso, do Xbox One.

As fases, à primeira vista, seguem uma estrutura um pouco linear. Na medida que avançamos no jogo e conquistamos novas habilidades, certos caminhos ou atalhos inacessíveis passam a ficar disponíveis, motivando o jogador a revisitar certos pontos. Eu particularmente não curti muito essa parte, preferi dar continuidade na história, pois alguns estágios são extremamente cansativos.




A duração das fases alterna entre momentos longos e situações extremamente curtas. Ao meu ver, essa alternância quebrou um pouco o ritmo do jogo. Isso é uma percepção da minha parte, pode ser que você, caro leitor, não sinta o mesmo. Mas reforço que mesmo tendo isso, o jogo ainda é muito bom.

Não poderia fechar essa sessão da análise sem comentar sobre a habilidade de aparar. Na minha opinião, a escolha que o estúdio fez de como devemos executar é a pior parte do jogo.

Pois bem, para realizarmos esse movimento especial temos que dar um toque no controle na direção (esquerda ou direita) na direção do projétil inimigo, quando ele estiver muito próximo do Shadow. O ninja vai aparar, transformando o projétil em uma bola de energia, que pode ser repelida de volta com apenas um golpe.

Eu acho que seria muito mais interessante um botão para executar essa habilidade. Porque em momentos frenéticos do jogo, que não são poucos, fica quase impossível lembrar de dar esse toque no direcional.




Gráficos e Sons

Eu lembro de ter ficado muito impressionado com as cinematics do Ninja Gaiden, lá no longínquo anos 90. O Cyber Shadow possui muitas delas, semelhante aos da franquia de sucesso da Tecmo, com uma riqueza absurda de detalhes, que condiz com o bom momento dos jogos feitos em pixel art. As animações do Cyber Shadow enriquecem a história com detalhes importantes, que não seriam percebidos se fossem descritos somente em textos.

A parte sonora não deixa a desejar, é competente nos momentos de ação e também durante as animações. Só senti falta mesmo de uma música marcante. Claro que isso é uma questão de gosto e depende muito de quem está jogando.

Os chefes são um deleite a parte, ricos em detalhes e com um excelente nível de dificuldade. No momento que escrevo essa análise, eu consigo lembrar da maioria deles. Principalmente do final, que levou um tempo considerável para concluir.




Veredito

Eu curti demais a minha jornada no Cyber Shadow. Há pontos negativos que não podem ser negligenciados, mesmo assim, o jogo é brilhante em outros aspectos.

Alguns amigos, que não vivenciaram a era de ouro dos jogos de 8 bits, me perguntaram se valia a pena tentar o Cyber Shadow. Se você curte jogos com um bom desafio, com controles precisos e uma boa história, recomendo fortemente que jogue o Cyber Shadow. Principalmente se você tem o Gamepass.

* Eu publiquei esse texto originalmente no site Xbox Mania.