22 de março de 2021

Pinkman+



Imaginemos a seguinte situação: você pega uma imagem do jogo Pinkman+, mostra para um amigo e pergunta para ele do que se trata. Com certeza absoluta a resposta será: isso é um jogo de Atari.

Eu não estranharia essa resposta. Se olharmos atentamente ao trailer do jogo ou as imagens disponibilizadas no site oficial, a sensação que temos é de estar nos anos 80, justamente no lançamento de um jogo da época. Seja sincero, você jogaria ele? Teria coragem de investir o seu dinheiro nele?

Se há dúvida no seu coração sobre isso, deixa comigo. Nos próximos parágrafos tentarei convencê-lo de que os gráficos podem te afastar de um jogo incrível.



Simples e grandioso ao mesmo tempo

Pinkman+ é um jogo de ação e plataforma sobre um homem perdido com pele rosa, com a habilidade de voar com um propulsor para alcançar novas alturas. Corra, salte e voe em um minimalista e colorido (porém mortal) cenário chamado “A Mente”.

Tudo que gira em torno desse jogo é simples. Os comandos são extremamente básicos: um botão para o pulo, outro para o controle do propulsor, um terceiro para ampliar ou diminuir a visualização da fase e um último para desativar a parte sonora, caso deseje jogar o game sem som.

Essa simplicidade esconde, na minha opinião, um level design primoroso que cresce na medida que avançamos no jogo. No total temos 100 estágios, cada um com um tipo de armadilha ou dificuldade diferente. O desenvolvedor teve o cuidado de explicar através de textos o que iremos enfrentar de novidade a cada novo estágio.

Além desse cuidado, a sensação que tive é que cada parte da fase foi devidamente colocado no lugar certo. Quando você olha pela primeira vez determinado estágio, fica com a impressão que não será possível superá-lo. Basta algumas tentativas para perceber que sim é possível superá-lo e na maioria das vezes de uma forma simples e inteligente.

Há elogios de sobra sobre o Pinkman+, mas vou citar um em especial: a dificuldade. O game não joga tudo de uma vez, ele vai inserindo armadilhas e mecanismos aos poucos, sempre com uma descrição simples do que aquilo pode provocar ou como determinado mecanismo funciona. Quando você chega no último nível, você fica com o sentimento de que cresceu em habilidade junto com o personagem, de uma forma muito interessante, sem ser em nenhum momento cansativo.




Um deleite visual e sonoro

O game possui gráficos simples, mas usa de uma artimanha interessante. Se você morrer numa fase, por exemplo, as cores daquele estágio vão mudar. Isso ocorre sempre que você morre ou passa de fase. Ao meu ver, esse truque faz com o que o jogador não enjoe e continue empolgado em tentar superar aquele nível. Não sei se foi essa a intenção dos desenvolvedores, mas comigo funcionou muito bem.

Outro ponto que achei interessante, voltando a questão do zoom, que ao iniciar um estágio você pode, se quiser, ampliar o estágio podendo ver ele todo. Com isso você pode bolar uma estratégia para superar os desafios que estarão logo a frente. Eu usei essa função várias vezes, mas assim que entendia o que iria enfrentar, desativava o zoom, para focar somente no homem rosa. Para mim, ficou mais fácil jogar focando nele, que deixa a tela de um tamanho confortável para mim. Mas fica a critério do jogador em escolher a melhor maneira. Lembrando que essa função de ampliar ou não a tela pode ser usado a qualquer momento.

O design das armadilhas é muito bem feito. São extremamente simples, mas suficientemente competente em transparecer ao jogador as suas particularidades, tornando-os de fácil identificação na medida que pulamos e avançamos na jogatina. Nota dez para o estúdio que teve a competência de criar um design limpo e bem informativo.




A parte sonora é outro acerto do estúdio. Os sons de pulo, do propulsor e de outros elementos dos estágios são simples, como todo o resto do game. Mas a parte musical, essa brilha de uma maneira majestosa. A sensação que eu tinha era de estar nos anos 80/90, ouvindo músicas eletrônicas de filmes de ficção científica da época. Em nenhum momento me senti incomodado com a música, mesmo tendo que repetir determinado nível várias vezes, por ter falhado miseravelmente em superar determinada armadilha. A troca de cores e as músicas andam de mãos dadas nesse jogo, com o objetivo de manter o jogador empolgado em vencer cada um dos desafios.

Os brasileiros mandando bem

Quando eu vi o jogo pela primeira vez, eu imaginava que o estúdio responsável por ele seria russo. Não sei explicar bem o porque. Acho que foram os muitos indies diferentes que vi, provenientes de desenvolvedores da Rússia.

Eu joguei o game inteiro, fechei ele e me deparei com um nome bem brasileiro no final do jogo. O nome era Mateus Ferreira, que não tem nada a ver com russo, no caso deveria ser Matheusvich Barichinikov. Mas não era o caso.




Resolvi então pesquisar um pouco mais sobre o jogo e descobri que o estúdio responsável por ele é brasileiro. O Viridino Studios é responsável pelo desenvolvimento desse jogo e a publicação ficou a cargo da Ratalaika Games. Foi uma grata surpresa para mim e vou ser bem sincero, descobrir a origem do estúdio não mudou a minha nota final sobre o jogo. A única coisa que mudou em mim foi o orgulho de ver estúdios nacionais criando jogos incríveis.

Esse orgulho vem aumentando a cada dia mais, diante de tantos projetos promissores. Não preciso dizer que recomendo o jogo, certo? JOGUEM, por favor.

Esta análise só foi possível graças a Ratalaika Games e a Viridino Studios, que gentilmente nos disponibilizaram uma cópia para avaliação do jogo, fica aqui o nosso agradecimento pela confiança. O jogo já está disponível para Xbox One e Xbox Series X|S e pode ser adquirido por meio do nosso link afiliado no final desta análise.

* Eu publiquei esse texto originalmente no site do Xbox Mania.