27 de julho de 2020

RiME

Mais que um jogo. RiMe é uma obra-prima.


Existem jogos que nos marcam de uma maneira especial. Não me refiro necessariamente a gráficos complexos ou mecânicas diferenciadas. Falo na verdade de algo mais profundo, porque não dizer pessoal. Sabe aquele feeling inexplicável que sentimos quando estamos em um jogo? Ou aquela vontade arrebatadora de terminá-lo o mais rápido possível, para enfim, ver o desfecho da história? É disso que estou falando. Acrescento a isso o fato do título ser o mais discreto possível com relação a comunicação entre jogo e jogador. Alguns conseguem ficar tão bons que são elevados ao status de obras de arte.

Os jogos criados pelo diretor japonês Fumito Ueda - Shadow of The Colossus (PS2), ICO (PS2) e The Last Guardian (PS4) -  são bons exemplos disso. E hoje, sem sombra de dúvidas, acrescento o game RiME. Para mim, foi uma das melhores experiência que tive com um jogo em 2020. O título foi desenvolvido pela Tequila Works e lançado em 2017. Eu até tentei jogá-lo no meu PC há alguns meses, mas infelizmente a placa de vídeo não ajudou. Desde então, aguardei a oportunidade para adquirir um Xbox One para poder jogá-lo através do Game Pass. Assim que destravei essa conquista, com relação ao novo console, baixei o jogo e iniciei essa maravilhosa jornada.




Após uma tempestade acordamos em uma ilha. Não há nenhuma indicação do que aconteceu de fato ou para onde devemos ir. Nesse momento o jogo te entrega o personagem e te deixa solto. Controlar o garoto é extremamente tranquilo e os comandos respondem naturalmente, mas ao girar a câmera senti uma ligeira queda nos frames. Essas quedas ocorreram em vários momentos durante o game, mas vale ressaltar, isso não atrapalhou a minha experiência.

Depois de alguns passos tive que nadar até um determinado ponto da ilha. O caminho era relativamente curto, mas havia algo ali, que me dizia que era o caminho certo. Lembrando que não há nada na tela indicando isso, é a forma como as coisas estão dispostas que nos sugerem, indiretamente qual caminho seguir.

Continuei avançando até me deparar com uma estátua de raposa, ao redor dela havia outras estátuas menores e nesse momento eu não sabia o que fazer. Olhando ao meu redor, vi alguns feixes de luz que saiam do chão (era o que parecia de longe) e que alcançavam o céu. Fui ao encontro de um desses feixes. No final da minha busca por essas luzes, me deparei com uma estátua, ao me aproximar, o jogo pela primeira vez me indicava uma ação. 

Assim que pressionei o botão solicitado o garoto gritou. A estátua se desfez e uma luz saiu dela em direção a estátua da raposa. Fui até lá e uma das estátuas pequenas havia mudado de cor. Continuei a minha busca pelos demais feixes, assim que completei essa pequena tarefa algo aconteceu com a estátua da raposa.



A desenvolvedora optou por um level design minimalista, ou seja, não há ícones, mapas, textos que indiquem um caminho ou revele algo relacionado ao enredo. Na verdade, a sensação que eu tenho é de que o ambiente conversa com você. Claro que temos a ajuda da raposa em alguns momentos, mas na sua grande maioria, a fase te mostrará de uma forma indireta qual caminho seguir. Essa sensação de qual caminho seguir pode ser obscurecida, caso o jogador não tenha interesse em explorar e observar os detalhes que o rodeiam.

Complementando o level design temos os puzzles, que na sua grande maioria são simples, divertidos e funcionais. Eles se encaixam muito bem ao propósito do jogo e ajudam o jogador a perceber a grandeza do ambiente que o cerca.  Li em alguns reviews que a dificuldade baixa desses quebra-cabeças incomodaram muitos críticos. Para mim eles foram suficientes e engrandeceram a jogatina.



A direção de arte do game tem que ser elogiada. Os ambientes são detalhados e bem construídos. A parte de iluminação do jogo não deixa a desejar, principalmente nos momentos do nascer e do pôr do sol. O jogo em si é bem colorido, mas na medida que avançamos na história a paleta de cores vai mudando. De tons alegres para um mais escuro e melancólico. Assim que concluímos o jogo entendemos o porquê dessa mudança de tons.

O jogo não é longo e nem muito difícil, eu terminei ele em um final de semana. Mas há colecionáveis espalhados pelo mundo que farão o jogador voltar ao maravilhoso mundo de RiMe. Eu adorei toda a jornada, cada etapa superada, cada revelação, tudo se encaixou precisamente no final. Sabe o feeling que comentei no início do texto? Então, enquanto eu jogava ele se manifestou em mim.

A versão que eu joguei foi a do Game Pass. Infelizmente ele sairá do catálogo da Microsoft no dia 30/07/2020. Todavia, porém, entretanto, eu recomendo muito a aquisição do jogo. Quem sabe um dia eu compre a versão física do RiME. O jogo foi lançado para Xbox One, PC, PS4 e Switch.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs