6 de março de 2020

Contra: Hard Corps

O Contra mais interessante da série e porque não dizer o melhor.
 


Eu me diverti muito na infância jogando os jogos da série Contra. Desenvolvidos e publicados pela Konami, os títulos dessa série eram sinônimos de desafio e criatividade. Joguei muito Contra (1987) e Super Contra (1988), ambos lançados para o nintendinho.  Depois de um tempo tive a oportunidade de jogar o spin-off Contra Force (1992), que acabou tomando o posto de “meu jogo preferido” da série.

Os anos passaram e não demorou muito para eu jogar o Contra III: The Alien Wars (1992) do Snes. Infelizmente eu não curti o jogo. Muitos o consideram como um dos melhores da série. Eu o acho repetitivo e extremamente cansativo nas últimas fases. Um certo dia um amigo me chamou para jogar uma nova versão do Contra, uma que foi lançada exclusivamente para o Mega Drive. Eu nunca tive esse console, o único que tive quando criança/adolescente foi o Nes. No caso do Snes, eu o jogava na casa dos meus primos, agora o Mega, eram pouquíssimos amigos que tinham. O jogo que ele queria me mostrar era o Contra: Hard Corps (1994).



Assim que iniciamos o game nos deparamos com a tela de seleção de personagens. Até então, apenas o Contra Force contava com isso. Tínhamos 4 opções: um soldado, um lobo cyborg, uma mulher e um robozinho. Eu escolhi o lobo cyborg, o meu amigo escolheu o robozinho, jogamos por horas. Uma coisa chamou a nossa atenção durante essa primeira jogatina: a possibilidade de escolher um caminho. Como assim? Ao final de algumas fases o jogo, baseando-se nos acontecimentos da história, nos oferece duas alternativas, por exemplo, assim que derrotamos um terrorista, o primeiro grande chefe do game, ele foge e surge o seguinte questionamento: seguir ele ou voltar a base, que naquele momento estava sofrendo um ataque. Claro que na época escolhemos salvar a base.

Lembro-me de ter achado muito legal a possibilidade de escolher um caminho. Mas para nós, aquilo não teria nenhuma influência no final do jogo. Era apenas uma oportunidade de jogar novas fases. É compreensível termos deixado passar batido o potencial dessas escolhas e só fomos perceber o quão influente elas são depois que o fechamos pela segunda vez. Quando voltamos a jogá-lo selecionamos uma outra rota, escolhendo caminhos que não conhecíamos e quando chegamos ao final do game, meus amigos, nos deparamos com o boss totalmente modificado. Ficamos obcecados por esse jogo. Queríamos pegar todos os finais possíveis. Pra mim os finais eram infinitos, perdoem o exagero, eu era uma criança naquela época. Mas era dessa forma que eu pensava.



Revisitando um clássico

Recentemente joguei o excelente Blazing Chrome da desenvolvedora brasileira Joymasher. O game é uma bela homenagem ao jogo Contra: Hard Corps. O desenvolvedor Danilo Dias, em entrevistas na internet, declarou que suas inspirações para o desenvolvimento do jogo vieram do Hard Corps e do Metal Slug. Eu morri muitas vezes jogando Blazing e fiquei pensando:

“ Caramba, eu lembro que jogava bem Contra, será que ainda consigo jogar esses caras? ” 

Resolvi jogá-los novamente para me certificar disso. Joguei as versões de Nes, a versão do Gameboy, Contra: Operation C (1991), que diga-se de passagem, é um excelente jogo. Depois joguei a versão de Snes, que constatei que continuo não gostando e por fim, a versão de Mega Drive. Em todos os casos eu morri bastante durante os primeiros minutos. Mas a versão que eu evolui mais rapidamente foi a Hard Corps. Depois de muitos tiros, explosões e mortes, conclui o game com todos os finais. Basicamente temos seis finais, sendo um ruim, outro especial e os demais normais.

Curiosidades:
  • A versão europeia não possui personagens humanos, apenas robôs. Tudo isso por conta da forte censura praticada na época. O jogo passou a ter o nome de Probotector.
  • A versão japonesa possui uma barra de energia e continue infinitos, características que foram retiradas das versões européias e americanas. Tornado-o um dos jogos mais difíceis da época.
  • No level 3, ao escalar uma parede, encontraremos um personagem misterioso que o desafiará para um combate. Se aceitarmos, enfrentamos algumas criaturas, sendo uma delas uma homenagem ao protagonista da série Castlevania, Simon Belmont.



Todos os jogos da série Contra continuam incríveis, mesmo sendo antigos. Para aqueles que ainda não jogaram nenhum título existe uma coletânea muito boa. Ela foi lançada no dia 11 de junho de 2019 para todas as plataformas: PC, Switch, PS4 e Xbox One. Na coletânea encontraremos:
  • Contra (Arcade)
  • Contra (NES)
  • Contra (Famicom)
  • Super Contra (Arcade)
  • Super C (NES)
  • Contra III: The Alien Wars (SNES)
  • Super Probotector: Alien Rebels (SNES)
  • Contra: Hard Corps (SEGA Genesis)
  • Probotector (Sega Mega Drive)
  • Operation C (Game Boy)

E suas variantes japonesas:
  • Contra (Arcade)
  • Super Contra (Arcade) – também chamado de Super Contra: Alien No Gyakushu no Japão
  • Super C – ou Super Contra no Japão
  • Contra III: The Alien Wars (Contra Spirits no Japão)
  • Operation C – no Japão, somente chamado de Contra
  • Contra: Hard Corps – ou Contra: The Hard Corps no Japão


Caso o leitor tenha interesse em conhecer o jogo Blazing Chrome (citado no texto), no canal tem um vídeo com os primeiros 15 minutos de gameplay. Para assisti-lo basta clicar aqui. Será uma ótima oportunidade de conhecer um excelente jogo, que por sua vez, se inspirou em uma das melhores versões da série Contra.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs