22 de janeiro de 2020

Dandara

Um dos jogos mais inovadores que joguei nos últimos anos.
   


Importante: esse texto é um complemento ao vídeo de 15 minutos do jogo Dandara. Ele não é uma análise completa do game, mas um texto com as primeiras impressões do jogo.

Eu curto muito jogos feitos em pixel art. Gosto da forma como os desenvolvedores tentam emular os gráficos do passado (NES e SNES) ou quando evoluem essa arte para outro patamar, como por exemplo no jogo Fez. Dandara é um jogo indie, desenvolvido pelo estúdio brasileiro Long Hat House e publicado pela publisher sueca Raw Fury.

Assim que iniciei o jogo fui advertido sobre o uso de um controle. No meu caso, eu tenho dois: um genérico e um do PS4. Optei pelo primeiro, porque o meu filho naquele momento estava usando o do Playstation. Depois de alguns minutos desisti de jogar com ele e peguei o do play. Eu reiniciei o jogo e a mudança no controle da personagem foi brusca. Recomendo fortemente que joguem com um controle bom, para ter o máximo de precisão possível.

Como eu falei anteriormente, jogos em pixel art me encantam, Dandara não é diferente. O jogo nos introduz ao universo dele através de uma belíssima intro. Depois disso, a parte sonora surge de uma forma magistral. Dou ênfase a isso, porque a parte sonoro anda de mãos dadas com a arte do game, gerando um resultado, que ao meu ver, é incrível. Por exemplo, Dandara desperta em meio a escuridão, uma música toca ao fundo, suave, e o som dos saltos da personagem se destaca de tudo. Isso ocorre, acredito eu, porque estamos nos acostumando com o tipo de movimentação dela e se fez necessário isso para prestarmos mais atenção a essa mecânica, já que, a personagem não anda, não voa e não corre. Apenas salta. Isso mesmo, toda a movimentação de Dandara é baseado em saltos. No início parece ser estranho, mas com o tempo vamos nos acostumando. Tudo bem que em algumas situações acabei me enganando e morri. Faz parte.

Quando cheguei ao Berço da Civilização, bem no início do jogo, me deparei com uma série de cabeças ao fundo. Pareciam ser ruínas de outra era. Na medida que nos deslocamos, a câmera se afasta ou se aproxima da personagem, nos dando uma noção melhor do cenário. Quando eu acionei a primeira alavanca, uma plataforma começou a se movimentar na minha frente. Enquanto isso acontecia, a câmera se deslocava vagarosamente para o lado direito, permitindo que eu olhasse melhor a sequência de cabeças ao fundo do cenário. Essas estátuas estavam dispostas uma ao lado da outra. A impressão que dava que as cabeças, por algum motivo, estavam gritando. Fiquei impressionado com essa cena e muito empolgado com o jogo.



Além dos saltos, Dandara dispara flechas de energia. Com esse ataque superei os primeiros obstáculos, globos que se formavam na minha frente e que me impediam de prosseguir. Um detalhe importante, na medida que avançamos, o jogo vai, aos poucos, criando situações de perigo. Até o ponto que joguei, isso não muda e demonstra o cuidado que a desenvolvedora teve com o nível de desafio do jogo. Um pouco mais pra frente nos deparamos com os primeiros soldados eldarianos. Eu os destrui facilmente.

Agora o momento mais mágico desses 15 minutos foi o encontro com a personagem Abaporu, na verdade o nome dela no jogo é Tarsila. É óbvio que essa personagem é inspirada na obra Abaporu da pintora, desenhista e tradutora brasileira Tarsila do Amaral. Ver essa referência brasileira foi tão emocionante, que me deixou com vontade de descobrir/reconhecer outras que possam aparecer no jogo. Importante, essa homenagem não está ali a toa. Pelo contrário, é graças ao poder dela que podemos prosseguir com a nossa aventura.



Enfim, Dandara mostrou ser um grande jogo. Eu ainda estou jogando ele e em breve teremos um vídeo com todos os chefes e também uma análise mais completa no blog/canal. Espero que tenham gostado desse primeiro 15 minutos e não se esqueçam de ver o vídeo clicando aqui.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs