27 de novembro de 2019

The Messenger

Uma belíssima homenagem a série Ninja Gaiden, mas com personalidade própria e com mecânicas incríveis.
 


Já ouviram falar no The Messenger? Aquele jogo que lembra o famoso Ninja Gaiden? Então, ele esteve gratuito por uma semana na Epic Games, tanto o jogo base, como a DLC Picnic. Eu completei a jornada do ninja há alguns meses e vou compartilhar com vocês a minha experiência.

Uma bela homenagem

O título foi desenvolvido pelo estúdio canadense Sabotage e publicado pela Devolver Digital. Ele é um jogo 2d, com gráficos de 8 e 16 bits, com foco em ação e aventura. Com essa pequena descrição, temos a sensação de ser mais um jogo que tenta se aproveitar do sucesso de outro game do passado, no caso, Ninja Gaiden. Porém, ao jogarmos pela primeira vez, percebemos de imediato que trata-se de uma bela homenagem ao clássico protagonizado pelo ninja Ryu Hayabusa. Além de implementar novas mecânicas para o gênero, o jogo possui um level design primoroso e desafiador.

Para os mais tiozões, é fácil lembrar o quão frustrante era jogar Ninja Gaiden no NES. A péssima localização de alguns inimigos, aliados ao respawn infinito, tornaram momentos de gameplay em um verdadeiro teste de paciência. Eu, por exemplo, fechei apenas o 2. Os demais dropei, porque já não tinha mais a paciência de outrora.



The Messenger se diferencia em muito do jogo homenageado, com controles perfeitos e com um level design incrível. Algumas fases são complicadas, mas a desenvolvedora teve o cuidado de não torná-las irritantemente difíceis. Então quer dizer que o jogo é mais fácil? Eu acredito que não. Algumas fases e chefes apresentam um nível de dificuldade interessante, mas nada impossível de se superar, desde que, você treine bastante e compreenda muito bem a forma de utilizar o pulo especial.

Pulo Especial

O que eu chamo aqui de especial, nada mais é que uma mecânica onde ao acertar um objeto ou inimigo, o jogo permite que o personagem execute um novo pulo. Parece bobo ou simples demais, não se engane, essa mecânica transforma por completo o gameplay de The Messenger, tornando o título em um dos melhores jogos dos últimos anos. Exagerado? Para mim não.

Você só vai ter essa percepção quando jogá-lo. Ponto final. É difícil descrever o quão incrível é essa mecânica. Ela torna o gameplay desafiador e extremamente divertido. Quantas vezes me vi quase que caindo no abismo e graças a um golpe, aplicado na hora certa, me permitiu voltar e me prender a alguma coisa. Fora o uso dela na batalha contra os chefes, que ao meu ver, é um dos mais criativos dos últimos anos.

Existem outras melhorias no jogo, como o gancho, que se prende ao objeto e dá ao mensageiro um impulso forte o suficiente para jogá-lo a uma distancia considerável. Ele é bastante útil em batalhas contras chefes e lugares que a primeira vista parecem ser intransponíveis.



Os chefes e o vendedor

O embate contra os chefes é bem equilibrado e divertido. Com exceção do primeiro, todos os demais demandam o uso de alguma habilidade especial. Eu particularmente adorei a luta contra o último chefe, não darei nenhum tipo de spoiler. Ela é difícil, como pede o figurino, mas divertida ao mesmo tempo. Como se trata de um jogo que carrega em si características de clássicos do NES, eu pensei que a batalha seria longa e irritante. Foi totalmente o contrário. Ao todo são 14 chefes no jogo base e 4 na DLC Picnic Panic.

Outro ponto extremamente positivo foi o personagem de maior carisma no jogo: o Vendedor. A primeira vista ele é um simples NPC, que tem como objetivo vender aprimoramentos e dar explicações básicas sobre a história. Entretanto, o personagem consegue ser carismático em praticamente tudo que fala: de pequenas advertências, até grandes contos. Os diálogos são bem escritos e como o nosso personagem corresponde a essas falas é muito engraçado. Vale a pena ouvir as histórias que o vendedor tem para contar.



Conclusão

The Messenger é um jogo inovador, que coloca os pés com firmeza em um gênero bem estabelecido, contudo, ele ousa arriscar incorporando elementos de um Metroidvania, que prejudica um pouco o ritmo, sem deixar a peteca da diversão cair em nenhum momento. Foi incrível acompanhar a história do mensageiro e indico a todos que deem uma chance para esse jogo.

O jogos está disponível para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs