22 de fevereiro de 2019

Memórias de um soldado: CoD 2

Existem jogos que marcam as nossas vidas e outros que conseguem fazer o contrário. Esse artigo tem como objetivo tratar de um que marcou a minha: Call of Duty 2. O meu primeiro contato com o jogo aconteceu em 2005 na extinta EGS (Eletronic Game Show), uma feira de games semelhante a BGS e que teve apenas duas edições no Brasil (2004 e 2005).

Nessa época eu era instrutor de informática, dava aulas de Windows/Office e manutenção de computadores. Lembro-me de comentar em sala de aula sobre a vontade de ir a feira para conhecer as novidades do mercado de games. Dois alunos combinaram de ir comigo a esse evento. Aproveitei a situação e chamei o meu cunhado também. Combinamos de nos encontrar no metrô Brás. O dia chegou e um dos alunos furou. Ficamos esperando por quase uma hora, depois de inúmeras tentativas, consegui ligar para ele, que deu uma desculpa esfarrapada do porquê de não poder ir. Depois desse pequeno contratempo nos dirigimos para o Expo Center Norte.

Eu não sabia o que encontraria na feira. Para ser bem sincero, eu não consigo lembrar das propagandas da época, de quais jogos seriam expostos ou qual console estaria disponível para jogarmos. O que eu queria mesmo era poder participar de algo que estava diretamente relacionado a videogames. Como é de costume, pegamos uma baita fila.

Ao entrar no salão, que emoção, dei de cara com alguns editores da revista EGM. A vergonha falou mais alto e não me atrevi a chegar perto deles. Andamos por quase todos os estandes, observando atentamente a cada jogo, escolhendo qual testar. Passamos próximos a um que mostrava um pouco do jogo Final Fantasy XII. Acho que naquele momento era o estante com mais pessoas.



Depois de um tempo andando, paramos na frente de um estande repleto de pessoas observando. Cheguei mais próximo para ver do que se tratava e me deparei com Call of Duty 2 pela primeira vez. Eu havia jogado recentemente Half-life e estava esperando a oportunidade de um dia jogar o Half-life 2. Mas esse jogo de guerra, eu não conhecia.

Entrei na fila e aguardei a minha vez. Quando me sentei para jogar, percebi o quanto gostava de jogos e como eles haviam evoluído. O meu personagem estava sentado em um jipe, que estava andando pelo deserto, indo em direção a uma fortaleza, quando de repente fomos atacados. Aquilo foi incrível. Fora as introduções de cada missão com vídeos de pessoas reais. Eu saí daquela feira doido para jogar esse game. Isso só aconteceu meses depois. Quando fiz um pequeno esforço para adquirir uma placa Geforce.
                                        





Campanha: Americana
Personagem: Bill Taylor
Local: Normandia, França

A invasão da Normandia é iniciada. Soldados amontoados em em um barco ouvem instruções do comandante e aguardam a chegada a praia. Muitos barcos são destruídos antes mesmo de chegar em terra firma. Bill Taylor, junto aos seus companheiros conseguem chegar ao destino, mas são atacados imediatamente por forças alemãs. Nesse momento, o jogo me permite controlar totalmente o personagem (até aquele momento eu controlava apenas a visão dele), por reflexo ou burrice da minha parte, resolvo correr em linha reta, tentando encontrar um lugar para me proteger dos tiros. Foi nessa hora que uma bomba explodiu ao meu lado e o meu personagem tombou. Pensei:

"Caramba, mal começou a missão e já morri."

Fique aguardando a tela de loading tradicional do jogo com alguma mensagem. Foi aqui que percebi que havia algo de diferente, alguém se aproximou do meu personagem e o levantou. Eu não conseguia ouvir nada, por conta da explosão. Aos poucos Bill Taylor foi recobrando os sentidos e pude ouvir melhor o que aquele soldado estava me falando. Esse momento foi um dos mais marcantes do jogo. Hoje pode soar batido, mas para a época foi sensacional.

Há alguns dias tentei jogá-lo novamente. Mesmo sendo um jogo antigo, com certas limitações técnicas, ainda vale a pena. Principalmente para aqueles que não puderam jogá-lo na época. Não espere algo igual ao Modern Warfare. Jogue-o para sentir como essa grande franquia mudou o cenário de jogos FPS e consequentemente o mercado de games.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs