11 de janeiro de 2019

God of War

O ano de 2018 foi muito especial para mim, pois foi nele que eu consegui voltar ao mercado de trabalho. Além disso, tivemos o lançamento de um dos melhores jogos que joguei na minha vida: God of War. Eu acabei criando uma relação muito especial com esse jogo e quero compartilhar isso com vocês nesse texto.

[ A escolha ] 



O PS3 e o 360 estavam no passado, o mercado de games passou a focar as suas atenções a nova geração: PS4 e XBOX One. Naquele momento eu tinha um Xbox 360 e a minha intenção era trocá-lo por um Xbox One. O que pesava mais na minha decisão era a vontade de jogar o novo Gears of War. Acrescento também o fato dos jogos da Microsoft serem mais baratos dos que os da Sony.

A E3 2016 chegou e o mundo voltou as suas atenções para esse grande evento. Fiz questão de assistir todas as apresentações. Primeiramente vi a da Microsoft e fiquei bastante empolgado com a apresentação deles. Depois vi a da Sony e foi justamente nesse momento que defini qual seria o meu próximo console. Lembro-me até hoje da cena:
"O maestro ergue os seus braços, uma dezena de músicos começa a tocar e um vídeo ao fundo começa a rodar. Em dado momento surge um personagem no escuro, aos poucos revela-se quem é, Kratos o fantasma de esparta ressurge, de barba e aparentemente mais velho. Ao final da apresentação surge o logo da franquia God of War e um novo jogo da série é revelado."
Para mim essa apresentação foi suficiente para mudar o meu objetivo. Naquele momento eu deixaria de sonhar com um Xbox One e passaria a querer ter um PS4.

[ Dias difíceis ]



A compra do meu PS4 aconteceu em 2017 e o meu primeiro jogo foi o Uncharted 4: A Thief´s End. Infelizmente fui demitido nesse mesmo ano. Uma época difícil para várias empresas, que tiveram que fazer cortes de pessoal, por conta da crise econômica que o nosso país enfrentava. O meu último dia na empresa foi bem dolorido.

Eu acreditava que voltaria ao mercado de trabalho em poucos meses. Mas não foi bem assim que aconteceu. Os dias voaram e eu continuava desempregado. Um dia minha esposa resolveu criar um canal no Youtube de artesanato. Eu não entendia nada da plataforma, muito menos sobre edição de vídeo. Investi o pouco dinheiro que eu tinha em cursos e inauguramos o nosso canal. O projeto deu certo e obtivemos bons resultados. Mas o bendito emprego não chegava.

Fui ficando cada vez mais preocupado com a situação. Com o tempo fui perdendo a vontade de jogar, de ler qualquer assunto relacionado aos jogos, minha única e exclusiva preocupação era o de arrumar um trabalho. Até que um dia eu resolvi vender o meus consoles. O primeiro que foi vendido foi o Xbox 360 e o próximo era o PS4. Eu o ofereci para alguns amigos, mas não tive coragem de vendê-lo,  porque eu não conseguiria resgatar o valor investido nele. Então, passei a vender os jogos que tinha. A tristeza chegou a um ponto que eu não queria ligar mais o console e por conta disso o PS4 ficou largado de canto.

O dia do lançamento do God of War havia chegado (20 de abril de 2018) e eu não tinha nenhuma expectativa de um dia jogá-lo. Esse era o meu pensamento naquela época. Até que um amigo (valeu Cris) comprou o título e me emprestou assim que ele fechou o jogo. Havia um conflito de sentimentos dentro de mim: a vontade de viver aquela aventura e a preocupação de não ter conseguido ainda um emprego. A empolgação com aquele jogo foi maior e iniciei a minha jornada junto a Kratos e o seu filho Atreus. O título já mostrava o seu potencial logo na abertura. Eu não demorei muito para finalizá-lo. Claro que fiz somente a história principal, porque eu precisava devolvê-lo ao dono.

Jogá-lo foi algo transformador para mim. De uma hora pra outra me vi com uma vontade enorme de colocar em prática um sonho esquecido: o de criar um blog e um canal no Youtube sobre games. Em uma semana o blog estava pronto e em duas semanas o canal. Detalhe, eu ainda estava desempregado, mas naquele momento com muito mais alegria e ânimo para enfrentar o combate.

[ A BGS 2018 e a nova jornada ] 


Acompanhar a história de Kratos/Atreus foi algo transformador para mim. Nunca um jogo havia me impactado tanto, jogar o novo God of War me trouxe um certo alívio, me permitiu esquecer, pelo menos por algumas horas, dos meus problemas.

Publiquei alguns textos e vídeos. E graças a criação do blog tive a oportunidade de tentar o credenciamento para ir a Brasil Game Show 2018 como imprensa. Eu não tinha muitas expectativas, visto que o blog era novo e relativamente pequeno. Mesmo assim, tentei. Depois de algumas semanas recebi um e-mail com a aprovação da minha credencial. Fiquei muito feliz com a notícia. Minha jornada naquele momento só estava começando.

Os bons ventos me trouxeram outra conquista. Depois de um ano e oito meses desempregado eu voltaria ao mercado de trabalho. O meu primeiro dia de trabalho aconteceu no dia 9 de outubro, na mesma semana da BGS 2018. Graças a escala, eu pude ir ao evento nos meus dias de folga. E no dia  12 de outubro aconteceu algo especial, pude participar de um bate-papo com o diretor do God of War.

[ Cory Barlog ]


Eu sabia que a Twitch iria promover um bate-papo com uma série de profissionais do mercado de games. Como esse tipo de "coisa" gera uma certa correria, eu não me importei. Mas andando pela feira, me deparei com o anúncio do Talk com o Cory Barlog. Naquele instante o estande da Twitch tinha poucas pessoas, procurei um lugar próximo ao palco e aguardei o início do bate-papo.

Participar de algo com o diretor de um dos melhores jogos que joguei na vida foi o ponto MAIS alto da feira, posso dizer com todas as palavras que foi o meu MELHOR momento na BGS 2018.

Em dado momento, tomei coragem e fiz uma pergunta para ele:
"God of War é uma franquia que sempre foi movida pela vingança e isso se refletia no gameplay, um gameplay frenético. Nesse novo God of War começamos o jogo em um funeral, com um andamento bem lento em comparação aos anteriores, por conta disso, eu fiquei com uma pergunta na minha cabeça, se aquilo que eu estava jogando era realmente um jogo da franquia God of War. Mas assim que eu o terminei, pude dizer para mim mesmo, que se tratava de um God of War. Pergunto, você e a equipe desenvolvimento tiveram algum tipo de dúvida no decorrer do desenvolvimento por conta de tantas mudanças no jogo?"
Ele respondeu que essa dúvida surgiu em alguns momento, mas que o time estava focado em trazer essa nova roupagem para a franquia e que com o tempo o novo God of War foi amadurecendo, gerando a certeza que o jogo que eles estavam produzindo era sim, um God of War. Ao final do bate-papo pude tirar uma foto com ele e consegui um autógrafo (em uma revista da BGS).

Esqueci de sorrir na foto, culpa do nervosismo

Além de responder a uma infinidade de perguntas, fardo dividido com o brasileiro Glauco Longhi
(Artista Sênior de Personagens), o diretor Cory Barlog nos presentou com uma mensagem motivacional. Vou tentar reproduzir parte dela aqui:
"Nunca desistam dos seus sonhos. Mesmo que as pessoas ao seu redor digam o contrário, mesmo que pensamentos negativos rodeiem vocês, não desistam. Lute, trabalhe por seus sonhos, que um dia eles se realizarão."
Foi difícil não chorar naquele momento. Aguentei como um bom espartano. A apresentadora, responsável por intermediar as perguntas e os tradutores não aguentaram a emoção e choraram no palco. Um momento especial para todos que estavam naquele bate-papo.

God of War 2018 foi um marco na indústria de games e também na minha vida. Jogá-lo foi prazeroso, os comandos eram perfeitos, os gráficos incríveis e a história excelente. Além disso, foi um jogo que me trouxe alívio e tranquilidade, quando a tristeza teimava em aparecer. Eu ainda não tive a oportunidade de comprar a minha versão (esperando os preços baixarem), algo que espero fazer em breve. Mas fica aqui a minha indicação, se você é fã da série, compre. Se você nunca jogou um jogo da franquia, compre também. Você não se arrependerá.

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs