24 de setembro de 2018

Tiles of Fate (NES)


Em 1992 tive a felicidade de ganhar o meu primeiro videogame: um Hi-Top Game. Um console lançado no Brasil em 1991 pela Milmar e que suportava o sistema NES (Nintendo Entertaiment System - Sistema de Entretenimento da Nintendo). Não era um aparelho oficial da Big N, mas sim, um clone. Nesse período o mercado de games no Brasil foi inundada por aparelhos desse tipo, que eram bem mais baratos que o original. Eu não sabia sobre a questão original/clone, o que eu sabia era que aquele pequeno aparelho iria me proporcionar ótimas aventuras.

A decepção

O meu console veio com um adaptador de cartuchos japoneses (60 pinos), dois joysticks, uma fonte, o adaptador para TV e um cartucho americano (72 pinos). O título do jogo era: Tiles of Fate, que numa tradução simples seria: Telhas do Destino. Eu já tinha jogado diversos jogos nos Arcades e também alguns no Atari. Mas eu nunca tinha ouvido falar desse jogo. Lembro de ter ficado empolgado com a imagem da capa e com o que estava escrito no manual do game. Toda minha empolgação acabou quando ligamos o console pela primeira vez.


Não havia um guerreiro para controlar ou uma nave espacial para pilotar. A única coisa que controlávamos era uma espécie de mira, navegando com ela sobre a tela, selecionando um par de telhados/azulejos, tentando destruí-los, sempre que possível. O objetivo era limpar a tela, antes que o tempo acabasse.

Para mim, aquele jogo era uma perda de tempo.

A história

O jogo era em inglês, por conta disso, nunca soubemos de fato do que se tratava a história. A cada três fases concluídas, surgia uma animação de um guerreiro sobre um cavalo, entrando em um castelo e trocando a bandeira dele. Graças ao poder da internet consegui uma descrição da história:

Em 306 aC, Lou Ban, o artista mais aclamado do clã Chin, esculpiu do melhor marfim, 7 conjuntos de azulejos encantados. Lendas dizem que o conjunto original de azulejos foi criado por deuses e jogado como um jogo. Os magos disseram que, quando interpretados por mortais, era uma arte que poderia ser usada para prever o futuro. Os padres disseram que foi uma aposta perigosa que realmente alterou o fluxo do destino. Logo a arte dos azulejos se espalhou por toda a China, mas com isso algo estranho também estava se espalhando. Secas e depois inundações, terríveis fomes e depois colheitas gigantescas. Todos os dias, algo mais estranho e improvável ocorreria, as forças do destino estavam descontroladas. A influência das telhas na China tinha que chegar ao fim, mas não seria fácil. Como a força do Yin & Yang, cada azulejo tem uma contraparte, quando unida, permitirá que os dois atinjam a simetria e simplesmente deixem de existir. Você deve conquistar 7 castelos para derrotar 7 conjuntos de peças. Vai demorar mais do que reflexos rápidos - você deve usar estratégia, habilidade e sorte para derrotar os AZULEJOS DO DESTINO!

Meu pai o guerreiro

Eu havia desistido do jogo, o meu pai não. Ele jogava muito comigo naquela época e se interessou pelo título. Pegou o manual (muitos jogos na época traziam belos manuais), deu uma bela lida e se prontificou a vencer aquele game.


O meu pai não demorou muito para pegar o jeito do jogo. Passou pelo primeiro reino tranquilamente, mas empacou no segundo. Depois de sucessivas tentativas passou pelo segundo, mas tombou no terceiro. E assim foi até o final. Lembro-me de ver uma das últimas fases, tinha peça para todos os lados e ele as eliminou, aos poucos e conseguiu concluir o jogo. O meu pai realmente havia conseguido trazer a paz a China.

O meu interesse

Acabei me interessando pelo jogo, depois de ver o meu pai fechar ele por diversas vezes. Comecei de forma despretensiosa, um pouco hoje, um pouco mais amanhã e aos poucos fui dominando as regras do game. Mas infelizmente, até hoje, eu não zerei esse título. Algumas vezes cheguei a última fase, mas acabei perdendo. Fica uma promessa aqui, vou zerar ele e colocar o vídeo de gameplay no canal do Robô Barulhento.


Enfim, Tiles of Fate foi o meu primeiro cartucho de videogame, um jogo que ignorei no início, mas que aos poucos fui me acostumando e que no final das contas, acabei me divertindo bastante, tanto jogando, como vendo o meu pai jogar. Se você curte jogos retrô no estilo Mahjong, esse é um bom exemplo para jogar.

||| Informações Técnicas:
Desenvolvedora: American Video Entertainment
Data de Lançamento: 1990
Gênero: Puzzle

| Humberto Costa
Mecânico de Robôs