10 de setembro de 2018

O menino do limbo

- Filhooooo. Hora de dormir.
- Aaaah pai, só mais um pouquinho.
- Não senhor. Hora de dormir.
- Eu queria brincar um pouco mais. Só mais um pouquinho. Vai?
- E se eu contasse uma história para você antes de dormir?
- História? Que legal!!! Vai ser de herói?
- Bom, você sabe que não sou muito bom com histórias. Conheço algumas, deixe-me ver. Já sei. Que tal a história O menino do Limbo?
- Menino do lembou?
- Não filho. O menino do Limbo.
- A história é mais ou menos assim:

“Em um certo dia, em um certo lugar, um pequeno menino acaba de acordar. Desnorteado e inseguro resolveu se levantar. Não sabia onde estava e nem onde devia chegar. Seus olhos, os únicos pontos que se podia enxergar, rapidamente se moviam, sem ao menos piscar. Ali estava escuro e não havia nada para iluminar.

Para a esquerda, para a direita. Em cima, em baixo, continuou olhando sem parar. Nada parecia real, tudo estava cinza, então começou a se preocupar. Que infelicidade do pobre pequenino, além de perdido, também não podia falar. Devagar, devagar, começou a caminhar.”

- Pai, pai, pra ele vai?
- Calma filho, calma, deixa eu continuar. Preste bem atenção.

“Com o tempo percebeu, que entre tons de cinza, uma floresta nasceu. Não pense que ele se animou, pelo contrário, aí que se desesperou. Porque quantos perigos podemos encontrar? Em uma escura floresta, em meio ao luar.







Um buraco surgiu, que o fez parar. Será que ele conseguirá pular? Quem sabe? Só mesmo tentando, para o superar. O buraco superou e uma armadilha de lobo quase o pegou.”

- Papai, papai, o menino se machucou???
- Não filho, ele conseguiu pular. Agora preste atenção, deixa o papai continuar, tá bom?

“Continuou a sua jornada, sem saber ao menos onde chegar, quem sabe, a uma certa distância, possa descansar. A sorte, às vezes, não está em seu devido lugar, escondida, talvez ela possa estar. Esse era o caso, pois parado ficou, olhando um rio escuro, que infelizmente o isolou. De uma lembrança esquecida, começou a recordar, não sabia nadar, tão menos voar. Olhou ao redor e procurou sem parar, algo que estivesse por ali, para poder navegar. Lá estava a solução!!! Preso a margem, um barquinho pequeno, pronto para a viagem. Agora sim, sem pestanejar, pulou sobre o barco, para o libertar. Aquela que estava escondida, resolveu então ajudar. Que sorte a dele, a corda acabou de quebrar. Aliviado pulou e com isso o barco navegou, por sobre as águas escuras, enfim passou.







Subiu, pulou, correu e escorregou. Ufa, nada disso o atrapalhou. Em meio as folhas, algo se movia, uma criatura vil, que estava faminta. Suas patas ligeiras, com suavidade se movia, a fim de pegá-lo em sua armadilha. Pobre coitado, desesperado e acuado, lembrou-se de algo que poderia salvá-lo. Empurrou, empurrou uma pequena armadilha, que em meio a moita, estava escondida. A criatura gritou e se acovardou. Mais uma vez, a sorte o ajudou. Continuou a jornada, mas ele não esperava, que um lugar pegajoso, atrapalhasse a sua caminhada. Seus pés ficaram presos. Lutou, lutou. Mas nada mudou. Preso e infeliz, por ali ficou. De repente, do nada aparente, surgiu a vil criatura, com suas oito patas novamente.”

- Papai e agora?
- Aguarde o restante da história filho. Ainda não acabou.

“Infelizmente a sorte o deixou. Pois a criatura o pegou. As patas escuras o seguravam no ar, em meio a tremedeira, começou a chorar. Girou, girou e enrolado ficou. Preso a um amontado de teia, por ali ficou. A criatura, que tinha mais o que fazer, o deixou pendurado, sem que ninguém o pudesse ver. Quem sabe mais tarde, quando a fome bater, volte cá logo, para o comer. 









Aproveitando a oportunidade, mexeu-se sem parar, uma hora, quem sabe, consiga se libertar. O fio que o prendia, rompeu-se depressa, caiu de repente, em meio a caverna. Pulou, pulou e o caminho achou. Em meio ao desespero, a criatura o encontrou. Fugiu, fugiu, sem parar de pular, parecendo uma múmia, não olhou para trás.









Caiu de uma certa altura, rolando sem parar, parou no chão, precisava escapar. Livrou-se das teias, que outrora o prendia, seguiu o seu caminho, cheio de alegria.”

- Filho, agora é hora de dormir. Tudo bem? Amanhã continuamos.
- Tudo bem papai. Boa noite.

* Conto baseado no jogo indie Limbo

| Por Humberto Costa
Mecânico de Robôs